12 de jun. de 2012

Se é pra falar de amor


Fui ridícula, como as cartas do Pessoa, enquanto a chuva caía lá fora. Olhei as gotas pela janela e quis eu e você na chuva, risos e mãos entrelaçadas, e o seu mau humor com as gotas geladas e o sol escondido atrás das nuvens. Gastei tempo olhando a chuva e querendo você daquele jeito inocente de quem quer romance, e de jeitos menos inocentes também. Quis ter você por perto noite adentro, até que a chuva parasse, e mesmo depois que ela parou. Quis você. Quero você.

Chamaram isso de amor.

"As cartas de amor, se há amor,
Têm de ser
Ridículas.

Mas, afinal,
Só as criaturas que nunca escreveram
Cartas de amor
É que são
Ridículas."
(Fernando Pessoa)

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